A professora Zhao Dongmei, do Departamento de História da Universidade de Pequim, afirmou recentemente, em entrevista ao WE-TALK, que a “febre da história da dinastia Song” é um fenômeno muito sofisticado, que só surge quando a cultura da nação chinesa volta a atingir um nível muito elevado. “São necessárias muitas condições para se gostar da história da dinastia Song”, afirma.
Zhao Dongmei explicou a sofisticação por trás da “febre pela história da dinastia Song”, destacando que se trata de um fenômeno que só emerge quando a cultura da nação chinesa atinge novamente um patamar elevado. Segundo ela, a apreciação por períodos como o auge da dinastia Qing, ou por figuras como Qin Shi Huang e o imperador Wu da dinastia Han, costuma derivar de concepções tradicionais da historiografia: uma admiração pelos momentos de força, de exaltação e de expansão. Já o interesse pela história da dinastia Song exige diversas condições, entre elas uma atitude mais serena e equilibrada.
Zhao Dongmei afirmou ainda que a dinastia Song possuía muitos elementos inexistentes em outras dinastias. Por exemplo, o drama exibido no início deste ano com grande audiência, “Espadas em Arados”, tem como núcleo narrativo a devolução do território de Wuyue e a reunificação pacífica, algo raramente visto na história da China. Que o governante de um regime regional tenha aceitado renunciar voluntariamente ao seu título supremo em nome da paz e da elevação da civilização em um território mais amplo é algo raro até mesmo na história da humanidade; no entanto, a nação chinesa conseguiu concretizá-lo há mais de mil anos, o que é extraordinário.
Zhao Dongmei considera que a beleza é uma característica da dinastia Song, algo que muitos estrangeiros também perceberam. “Quando visitei uma exposição no Museu Britânico, em Londres, a parte dedicada à dinastia Song era apresentada como ‘o auge da civilização’”, disse Zhao Dongmei.
Zhao Dongmei afirmou: “O que mais me comove é ver, na internet, alguns jovens pesquisando e explorando de forma muito profunda as vestimentas no estilo Song e os trajes tradicionais chineses; há até estudantes que, ao fim do semestre, vestem roupas no estilo Song para tirar fotos comigo. O que devemos fazer é justamente descobrir a beleza contida na dinastia Song, e mesmo em toda a civilização chinesa, e ao mesmo tempo introduzi-la na vida cotidiana, para praticá-la e apreciá-la. Se isso ficar apenas nos livros didáticos ou for apenas repetido mecanicamente pelos professores, temo que tenha pouco sentido.”
Zhao Dongmei considera que os estudos sobre a dinastia Song nunca foram realizados apenas por chineses; todos, em torno de um objeto comum de pesquisa, confrontam e fundem diferentes perspectivas, estimulando-se continuamente e dialogando em igualdade em uma mesma plataforma.
“A história e a cultura da China pertencem tanto à China quanto ao mundo. Constituem não apenas o nosso patrimônio cultural, mas também uma parte extremamente importante do patrimônio cultural da humanidade. Devem tornar-se uma riqueza comum da civilização humana e requerem esforços conjuntos para sua exploração e estudo”, afirmou Zhao Dongmei.