Em 30 de janeiro, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e sua comitiva visitaram o Jardim Yu, em Xangai, mesmo sob chuva. Durante o passeio, atravessaram a Ponte Jiuqu, provaram o tradicional hudiesu, biscoito folhado conhecido como “borboleta” em mandarim (ou “palmeira”, no Brasil), no restaurante Lübolang, e interagiram com moradores locais.
Essa foi a primeira visita de um primeiro-ministro britânico ao jardim em oito anos, desde que Theresa May esteve no local em 2018.
Ao longo dos anos, o Jardim Yu, construído durante a dinastia Ming, recebeu diversos líderes estrangeiros em visitas marcantes. A rainha Elizabeth II, do Reino Unido, admirou a técnica de preparo dos Nanxiang xiaolongbao; o ex-rei cambojano Norodom Sihanouk e seu filho degustaram quitutes no tradicional restaurante Lübolang; e o presidente francês Emmanuel Macron percorreu o jardim ao som de músicas tradicionais. Com isso, o espaço consolidou-se como um dos destinos preferidos de líderes estrangeiros em visita a Xangai, registrando momentos emblemáticos das relações diplomáticas da China.
Mas o que torna o Jardim Yu tão atrativo para essas autoridades? Que códigos de comunicação cultural ele representa? E que lógica profunda das relações exteriores da China se revela por trás disso?
O encanto do Jardim Yu reside, antes de tudo, no fato de ser uma amostra viva da cultura tradicional chinesa. Com mais de 460 anos de história, ele combina a elegância dos jardins clássicos do sul da China com a vitalidade do cotidiano popular, sendo um modelo da arquitetura de jardins do estilo sulista.
A Ponte Jiuqu e o Pavilhão do Lago refletem a filosofia oriental de harmonia entre homem e natureza; os petiscos do Lübolang e os Nanxiang xiaolongbao demonstram o esmero das técnicas culinárias reconhecidas como patrimônio cultural; e a tradicional Festa das Lanternas do Jardim Yu, que hoje une tradição e tecnologia de projeção de luzes, já ultrapassou fronteiras, tornando-se uma ponte de empatia cultural. Essa estética oriental palpável, degustável e sensível expressa vividamente a cultura chinesa de forma acessível, capaz de superar barreiras linguísticas e geográficas.
O Jardim Yu também condensa a característica de Xangai de equilibrar tradição e modernidade, refletindo a postura de desenvolvimento aberto e inclusivo da China. Situado no coração da antiga cidade de Xangai, o jardim preserva sua essência original como patrimônio protegido ao mesmo tempo em que se integra ao comércio moderno, com sua área comercial reunindo marcas tradicionais. A poucos passos dali, o esplendor urbano moderno às margens do rio Huangpu ecoa esse contraste harmonioso.
Essa convivência entre antigo e novo, entre tradição e inovação, representa de forma vívida o caminho atual do desenvolvimento chinês. É nesse cenário que os líderes estrangeiros têm a oportunidade de compreender a filosofia chinesa de “preservar a herança cultural e abraçar o mundo”, além de perceberem o modelo chinês de modernização, onde coexistem tradição e inovação.
Das visitas da rainha Elizabeth II, Theresa May até Keir Starmer, o Jardim Yu tem sido palco dos passos dados por China e Reino Unido no aprofundamento da cooperação pragmática e intercâmbio cultural. Aqui, ao invés de discursos rígidos, há experiências imersivas e interações sinceras.
Nesse sentido, o Jardim Yu, em sua modéstia, funciona como uma ponte civilizacional de diálogo igualitário. Esse antigo jardim do sul da China comprova, repetidamente, que o intercâmbio entre civilizações não se dá em narrativas grandiosas, mas sim na empatia silenciosa dos encontros cotidianos.