Recentemente, em uma joalheria de ouro em Ningbo, na província de Zhejiang, a consumidora Chen Chen segurava um pingente de ouro chamado “Cavalo com Plumas de Fênix”, cuja forma combina a imagem de um cavalo da dinastia Tang, de cabeça erguida, às plumas da cauda de uma fênix. “Inspirada na estética do apogeu da dinastia Tang, a peça carrega o significado de ‘alçar voo com a sorte’. É um presente para mim mesma, já que também nasci no Ano do Cavalo”, afirmou.
Segundo a CNS, com a aproximação do Ano do Cavalo, o pequeno “Cavalo com Plumas de Fênix” passou a simbolizar a crescente febre de consumo associada à chamada “cultura do cavalo”. De joias em ouro a criações culturais de museus, e de expressões auspiciosas como “Felicidade Vindo a Cavalo” a “Sucesso Galopante”, os produtos de edição limitada do Ano do Cavalo carregam forte valor cultural e emocional, tornando-se protagonistas do mercado de consumo cultural durante o Festival da Primavera.
Enquanto as lojas de ouro recebem picos de visitantes, a Exposição de Criações Culturais promovida pelo Museu Nacional da Seda da China “Qiji 2026” apresenta uma outra faceta da cultura do cavalo. A mostra reúne 285 obras criativas de mais de 40 instituições culturais, museus, empresas e indivíduos, como o Museu Nacional da China e o Museu de Xangai, oferecendo um verdadeiro banquete cultural com cavalos como tema central.
“Nos inspiramos nos padrões de cavalos alados da dinastia Tang”, explica Zhang Chengming, vice-diretor do Museu Nacional da Seda, apontando para uma peça com tecnologia de impressão 3D, “Cavalo de Seda”. Segundo ele, esses padrões de cavalos alados eram comuns na Rota da Seda e são testemunhas do diálogo entre civilizações.
Se a exposição “Qiji” é uma narrativa coletiva que reúne talentos diversos, as iniciativas individuais de museus demonstram distintas profundidades culturais. Por exemplo, o prestigiado Museu do Palácio lançou vários produtos para o Ano do Cavalo, incluindo a versão juvenil do Calendário do Palácio 2026, dividido em quatro seções: “Panorama do Museu”, “Idiomas e Poesia”, “Histórias de Cavalos” e “Eventos Equestres na História”, com o intuito de criar um livro portátil sobre a cultura equina de forma leve e divertida.
“O Calendário do Palácio está sendo muito disputado; meus amigos até pediram que eu levasse um como presente de Festival da Primavera”, contou Yang Xinyue, jovem de Hangzhou que estuda em Pequim. Ao retornar para casa, ela levava na bagagem diversos produtos de edição limitada do Museu do Palácio, peças que unem o simbolismo tradicional do Ano Novo a um design cuidadosamente elaborado. Para muitos jovens, esses presentes passaram a representar uma nova maneira de expressar votos de boas festas.
Nas redes sociais, “unboxing de produtos do Ano do Cavalo” virou tendência, com consumidores da geração Z ávidos por compartilhar as histórias culturais por trás de cada item.
Ao mesmo tempo, museus, marcas e artistas vêm colaborando de maneira criativa para dar nova vida ao símbolo milenar do cavalo.
Recentemente, às margens do Lago do Oeste de Hangzhou, o turista Gan Tong procurava, com o celular em mãos, o melhor ângulo para se fotografar ao lado da escultura de bronze “Correnteza de Fortuna Galopante”, feita especialmente para o Ano do Cavalo. Ele comentou: “Hangzhou prospera pela água, e o rio Qiantang é uma fonte vital para a cidade. Como morador daqui, espero reinterpretar o cavalo com uma linguagem artística moderna, unindo o espírito de progresso com a energia das corredeiras.”
Para especialistas do setor, o sucesso dos produtos de edição limitada do Ano do Cavalo reflete um consumidor que vai além da funcionalidade, buscando narrativas culturais, valor estético e conexões emocionais. Museus e marcas, ao explorar símbolos da cultura tradicional e reinterpretá-los com linguagem de design contemporânea, conseguiram despertar o mercado para o desejo por estética ritualística e bons presságios.