Por que tantos estrangeiros têm se tornado “chineses de coração” nas redes?
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Preparar mingau de Laba, fazer ventosaterapia, praticar o baduanjin... Recentemente, plataformas sociais no mundo inteiro foram tomadas por uma onda chamada “Becoming Chinese” (tornando-se chinês). Nessa espécie de “show global de imitação do modo de vida chinês”, milhões de internautas estrangeiros se auto-diagnosticaram como “chineses de coração”.

Eles elaboram listas com metas para “se tornarem chineses”, compartilham seu “cotidiano à chinesa” nas redes, e a hashtag relacionada no TikTok já ultrapassa 500 milhões de visualizações.

Por que tantos estrangeiros estão se aderindo com entusiasmo à ideia de serem “chineses de coração”?

Porque a sabedoria oriental oferece uma outra resposta. Em meio ao consumismo desenfreado, digitalização excessiva e fragmentação social, muitos estrangeiros passaram a adotar espontaneamente o estilo de vida chinês, motivados inicialmente por simpatia e curiosidade pela China. Com o tempo, porém, isso despertou uma profunda identificação com conceitos tradicionais chineses como moderação, harmonia com a natureza e união entre céu e homem.

A sabedoria milenar do Oriente fornece respostas alternativas para dilemas contemporâneos como o vazio existencial e a ansiedade ambiental. O estilo de vida chinês, centrado nos ritmos da natureza, no afeto familiar e no equilíbrio físico e mental, oferece uma forma de desacelerar diante da vida moderna agitada. Escolher ser “chineses de coração” é, em essência, buscar o alimento espiritual contido por trás dessa expressão.

O encanto da cultura reside em apreciar o cotidiano. Um mingau quente pela manhã para aquecer o corpo, um passeio ao sol durante a tarde, uma infusão de maçã preparada em casa... Os itens das listas feitas por estrangeiros geralmente vêm de gestos simples e cheios de vida.

O poder da cultura nunca esteve restrito a relíquias de museus ou clássicos literários, tampouco depende apenas de símbolos para representá-la, como o panda ou Harry Potter. Ele se manifesta em pequenos momentos autênticos do dia a dia. O crescimento das redes sociais, o avanço dos transportes e a implementação de políticas de isenção de vistos intensificaram os intercâmbios entre povos, quebrando estereótipos e tornando a cultura chinesa mais atraente do que uma mera reprodução de símbolos.

Construir o “eu” a partir do “outro”. A expressão “ser [de determinada nacionalidade] de coração” nunca foi exclusividade de estrangeiros. Na China, muitos internautas também se autodenominam, de forma bem-humorada, “italianos de coração” ou “brasileiros de coração”, movidos pelo amor à arte, ao futebol, ao café ou à gastronomia. Assim, enquanto um “chinês de coração” estuda com entusiasmo as tradições do Ano-Novo Lunissolar, um internauta chinês pode estar ocupado tirando fotos criativas com os personagens de “Zootopia 2”.

O rótulo “ser [de determinada nacionalidade] de coração” reflete, em sua essência, a curiosidade e o fascínio humanos por outras civilizações, além do processo de reconstrução do próprio “eu” por meio do contato com culturas distintas. Afinal, ninguém deseja que sua cultura seja apenas uma réplica de outra. Talvez o que realmente desperte o interesse dos internautas ao redor do mundo não seja a ideia de ser “chinês de coração” em si, mas a possibilidade de, diante do olhar vivo e marcante de uma outra cultura, refletir, iluminar e construir uma identidade mais completa de si.

责任编辑:辰子
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