O ano de 2025 corresponde ao Ano da Serpente, segundo o calendário lunissolar chinês. Como um dos doze signos do horóscopo chinês, por que a serpente se tornou um objeto importante de adoração nas crenças populares? Em diferentes países e regiões, quais são as razões que levam ao culto da serpente? Cai Lei, professor associado da Escola de Sociologia da Universidade de Wuhan e diretor do Centro de Pesquisa em Ecologia e Cultura Social, discute sobre o tema.
Cai Lei afirmou que o antigo totem da serpente passou por um processo de secularização, tornando-se gradualmente um importante objeto de culto nas crenças populares. Em várias regiões, foram erguidas estátuas e templos dedicados a serpentes, acompanhados por rituais e tabus específicos. No folclore, a serpente é chamada de “pequeno dragão”, pois acredita-se que, assim como o dragão, ela possui o poder de trazer a chuva. Durante as dinastias Ming e Qing, era comum no sul da China a veneração da divindade das águas “Rei das Serpentes, Shi Xianggong”, com templos dedicados a ele e cerimônias realizadas entre o 25º dia do 12º mês do calendário lunissolar e a véspera do Ano Novo Chinês. Os devotos ofereciam grandes pães de trigo moldados em forma de serpente, conhecidos como “Pães de Shi Xianggong”. A partir do período médio da dinastia Qing, devido ao fortalecimento do culto ao dragão, a representação da serpente foi substituída pela figura do dragão, dando origem ao “Pão Dragão Enrolado”.
Cai Lei explicou que, na cultura chinesa, a imagem da serpente possui tanto conotações positivas quanto negativas. Em Yixing, na província de Jiangsu, o 9º dia do 9º mês do calendário lunissolar é considerado o aniversário da serpente. Nessa data, as famílias preparam “serpentes de farinha de arroz”, acompanhadas por pequenas bolas de farinha simbolizando ovos de serpente, representando o desejo de prosperidade e descendência numerosa. Na arte popular de recorte de papel, é comum o padrão “serpente enroscada no coelho”, expressando votos de continuidade da linhagem familiar. Por outro lado, devido ao seu veneno, a serpente é associada a uma natureza fria e impiedosa, refletida em expressões populares como “venenoso como serpentes e escorpiões” e “boca de Buda, coração de serpente”, usadas para descrever pessoas traiçoeiras e mal-intencionadas. Além disso, por se mover silenciosamente e sem patas, a serpente é vista como um ser imprevisível e furtivo, contrastando com a imagem de pessoas justas e honradas, sendo frequentemente usada como metáfora para indivíduos desleais.
Na cultura do Antigo Egito, a serpente também possuía uma dualidade simbólica, representando tanto o bem quanto o mal. Ela simbolizava poder real, sacralidade, força protetora e renovação da vida, aparecendo em coroas de faraós, decorações de palácios, pinturas funerárias e relevos de templos. Ao mesmo tempo, a serpente era associada à escuridão, ao mal e ao caos, sendo vista como a força oposta à luz e à ordem. A simbologia da serpente reflete o conhecimento humano sobre suas características biológicas, ao mesmo tempo em que incorpora elementos do ambiente natural, da evolução das civilizações e das tradições culturais de diferentes países e regiões.
A cultura do horóscopo chinês está relacionada à astronomia, ao calendário, à religião e às tradições populares da antiguidade. Por meio do intercâmbio cultural, do turismo, das festividades de chineses residentes no exterior e dos produtos baseados nos signos do horóscopo chinês, a sociedade internacional já desenvolveu um certo conhecimento sobre essa tradição. Para fortalecer a difusão da cultura do horóscopo chinês e promover o intercâmbio entre civilizações, Cai Lei propõe três abordagens:
Primeiro, apresentar as características da civilização chinesa por meio do horóscopo chinês, utilizando seus símbolos culturais para difundir a filosofia e os valores éticos do pensamento chinês.
Segundo, explicar a origem do horóscopo chinês no contexto da astronomia e do calendário da China antiga, conectando esse conhecimento com a ciência moderna e estabelecendo paralelos entre os signos do horóscopo chinês e os signos astrológicos ocidentais.
Terceiro, utilizar o espaço cultural do Ano Novo Chinês, aliando estética contemporânea e tecnologia digital para inovar na representação dos signos do horóscopo chinês e contar suas histórias de maneira envolvente e moderna.