José Augusto Salazar não gosta de ser chamado de sinólogo. Após 30 anos acompanhando a filosofia chinesa, ele incorporou ao seu ser o conceito confucionista da “humildade”. Ele considera-se apenas um apaixonado pela sinologia e um professor da matéria. Originário do Equador, atualmente é professor na Universidade São Francisco de Quito. José afirma que está se tornando cada vez mais chinês, adotando a filosofia de vida “grandes sábios aparentam tolos; às vezes, é necessário aceitar a própria ignorância”.
Em 1995, José teve a oportunidade de estudar na Universidade de Língua e Cultura de Pequim. Durante seu tempo na China, ele adorava fazer amigos.
Depois de estudar o idioma chinês por muitos anos, José voltou sua atenção para a filosofia antiga. Sob a orientação de seu mentor, Chen Qing, ele começou a estudar o confucionismo. Com o tempo, ele passou a entender através dos textos clássicos, já que apesar das constantes mudanças na sociedade, os chineses continuam enfatizando a bondade para com os outros.
Após sua graduação na Universidade de Língua e Cultura de Pequim, José ingressou na Universidade de Pequim, onde aprendeu com o filósofo chinês Lou Yulie. Certa vez, Lou Yulie comentou sobre intercâmbio cultural aos seus alunos, incluindo José: “Se o Oriente está aqui e o Ocidente está lá, há uma ponte entre eles. A única maneira de atravessar essa ponte é através do conhecimento. Sem conhecimento, as civilizações simplesmente não alcançam entendimento mútuo.”
“A filosofia ocidental geralmente é expressa através de sistemas lógicos, mas o Sr. Lou me mostrou que a filosofia chinesa é como ‘poesia’, repleta de emoções humanas. Antes disso, eu sempre pensei que a filosofia era objetiva, desprovida de emoção. Nunca imaginei que poderia aprender filosofia através da compreensão das emoções. Mais tarde, percebi que o pensamento filosófico da China antiga era em grande parte uma expressão natural e intuitiva, cheia de risos e lágrimas. Atrás das risadas e lágrimas das pessoas, pode-se discernir uma sabedoria que os olhos não vêem e os ouvidos não ouvem. Esta foi a inspiração que o Sr. Lou me concedeu, que não precisamos complicar muito a filosofia.”
Anos depois, quando José retornou ao Equador, ele também se tornou um professor. “Depois, ‘se você deseja ter sucesso, ajude os outros a serem bem-sucedidos’ tornou-se o pensamento confucionista que eu mais adorava”, completou.
Após ingressar na Universidade de Pequim, com uma mente aberta, José estudou o taoísmo, com a ajuda dos professores Li Zhonghua e Zheng Kai da mesma universidade, e do professor Du Daoming da Universidade de Língua e Cultura de Pequim. Após um estudo aprofundado das obras de sábios antigos como Confúcio e Lao Tsé, José teve uma nova percepção do pensamento filosófico chinês antigo.
Nos últimos anos, com profundo respeito, José trabalhou arduamente para traduzir o “Analectos” e o “Tao Te Ching” para o espanhol. Durante o processo de tradução, ele percebeu as semelhanças e diferenças entre as filosofias oriental e ocidental. José observa que, se o conceito do “Tao” na filosofia é interpretado como uma forma de prática ou padrão de comportamento, a filosofia ocidental também possui conceitos e pontos de vista semelhantes.
“Sobre as diferenças, o famoso acadêmico chinês Chen Lai acredita que, enquanto a Grécia antiga se caracterizava pelo ‘amor à sabedoria’ em sua filosofia, a filosofia chinesa antiga tinha o ‘amor ao aprendizado’ em seu cerne. Como mencionei antes, a filosofia chinesa traz ‘emoção’, muitas vezes emoções agradáveis, fazendo você até mesmo sentir que aprender filosofia em si é uma alegria. Na abertura do Analectos está escrito ‘Não é uma alegria aprender e constantemente aplicar o que se aprendeu?’, essa frase é a auto-afirmação de um estudioso, é também a educação que Confúcio idealiza.”
Talvez seja por causa dessa alegria que o curso “História do Pensamento Chinês” que José ministra na Universidade São Francisco de Quito seja extremamente popular. “Não há assentos suficientes, alguns alunos simplesmente sentam no chão para ouvir”, comenta José. “O mundo está olhando para o Oriente. O conteúdo do pensamento da China antiga é rico e profundo, e a China contemporânea é a segunda maior economia do mundo. Quem não gostaria de conhecer um pouco mais sobre ela? As diferentes culturas precisam dialogar, e as civilizações precisam se inspirar mutuamente.”