O cultivo de plantas como trigo e arroz é uma etapa fundamental na origem da civilização humana. O arroz carbonizado, considerado o primeiro arroz domesticado descoberto na China e também o mais antigo no mundo, com quase 10.000 anos, é exibido na “Exposição Especial de Arqueologia Cultural de Zhejiang Shangshan", no centro do salão de exposições do Museu Nacional da China. Neste artigo, através de entrevistas com especialistas, aprofundaremos no tema: “O primeiro grão de arroz do mundo”, e qual a sua contribuição para a civilização?
Há dez mil anos, plantas como arroz e trigo foram cultivadas e domesticadas sucessivamente por humanos, permitindo-lhes armazenar alimentos sem ter que se preocupar com ervas daninhas e estragos. Isso deu origem a uma sociedade estabelecida, iniciando o Período Neolítico e criando uma chave para a origem da civilização humana.
Os primeiros remanescentes de cultivo de arroz no mundo estão localizados no sítio arqueológico de Shangshan, na província de Zhejiang. Por conta dos primeiros vestígios de assentamento encontrados na China, o arqueólogo Yan Wenming chamou o local de “a primeira aldeia da China antiga”, e Yuan Longping, o “pai do arroz híbrido”, também menciona Shangshan, um local milenar, como a fonte de arroz do mundo.
A cevada e o trigo da Ásia Ocidental, o milho da América Central e do Sul e o arroz do Leste Asiático são as três principais origens agrícolas do mundo. De uma perspectiva global, a domesticação das principais safras cultivadas do mundo começou por volta de 10.000 anos atrás — o que está diretamente relacionado à mudança climática global da época.
Na China, existem atualmente quatro lugares onde restos de arroz há mais de 10.000 anos foram descobertos, três deles encontrados em cavernas de sítios arqueológicos, na qual são arrozes selvagens. Apenas o sítio arqueológico de Shangshan é um local ao ar livre, indicando que os seus ancestrais migravam de região de acordo com as estações do ano, passando a cultivar e a domesticar o arroz.
“No momento, a origem do cultivo de arroz na China só pode ser rastreada até a cultura Shangshan, já que ela nos fornece evidências arqueológicas suficientes do comportamento humano na agricultura”, afirma Zhao Zhijun, pesquisador do Instituto de Arqueologia da Academia Chinesa de Ciências Sociais, que também apontou, por exemplo, um conjunto de ferramentas de produção agrícola: a foice de pedra, suspeita de ser uma ferramenta de colheira; o disco de amolar, o pau de amolar, o machado e a enxó, todos feitos de pedra e utilizados para processar o arroz; além da cerâmica, um indício de que os humanos começaram a cozinhar o arroz e até mesmo a fazer vinho, e assim por diante.
“O cultivo de arroz em Shangshan inclui uma série de evidências de plantio, colheita, processamento e moagem, onde um sistema de comportamento agrícola totalmente novo foi formado inicialmente”, afirma Jiang Leping, pesquisador do Instituto de Arqueologia e Relíquias Culturais de Zhejiang. “A saída do povo de Shangshan da caverna marca o verdadeiro início de uma era”, completa.
Desde a origem, há mais de 10.000 anos, até cerca de 8.000 anos atrás, esta é a etapa-chave da origem da agricultura. Zhao Zhijun explica que nesta fase surgiram aldeias de assentamentos permanentes e deu-se início à verdadeira agricultura e pecuária.
Porém, a conclusão do longo processo de origem do cultivo do arroz, ocorreu apenas durante o período da Cultura Liangzhu entre 5.200 e 4.300 anos atrás, onde por volta de 4.000 anos atrás, o trigo foi introduzido para a Chinal. Com os seus produtos de excelente qualidade, o trigo tornou-se gradualmente o principal produto da agricultura da região norte do país, formando desde então o senso comum de que “Arroz, sul. Trigo, norte”.
A exploração da origem da agricultura vai muito além. Fang Xiangming, diretor do Instituto de Relíquias Culturais e Arqueologia de Zhejiang afirma claramente que a origem da agricultura está intimamente relacionada ao desenvolvimento social. Diferentes formas de agricultura afetam antigas crenças religiosas, conceitos e até mesmo as artes. Nesse sentido, ainda há muito trabalho de pesquisa a ser feito no futuro.